O governo americano orientou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a modificar sua carta de pronunciamento, excluindo uma parte onde ele se autodenominava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Essa informação foi divulgada pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e corroborada por Valdo Cruz, da GloboNews, além de Patrícia Vasconcellos, do SBT News. Os relatos indicam que a expressão gerou inquietação em Washington, pois poderia ser interpretada como um reconhecimento dos Estados Unidos à autoproclamação do parlamentar, o que poderia prejudicar as relações diplomáticas com o governo brasileiro. Diplomatas que acompanhavam a situação afirmaram que a necessidade da mudança surgiu após a administração do ex-presidente Donald Trump tomar conhecimento do conteúdo da carta. Aliados de Flávio Bolsonaro sustentaram que a alteração foi apenas uma modificação no texto original. Entretanto, diplomatas ressaltaram que houve um pedido explícito para evitar qualquer mal-entendido sobre um possível reconhecimento do senador como presidente eleito. A administração dos EUA concedeu visto humanitário para Flávio e sua família, mas enfatizou que isso não significava reconhecimento da sua autoproclamação. Em meio a críticas ao processo eleitoral brasileiro, Trump elogiou o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e indicou uma boa relação com ele. A coluna de Patrícia Vasconcellos também reportou desconforto em Washington em relação à afirmação de Flávio. Um membro da administração Trump comentou que se apresentar como “presidente de fato” não era bem-visto pelo governo dos EUA. As discussões sobre a presença da família Bolsonaro nos Estados Unidos giravam em torno do equilíbrio entre essa situação e as relações bilaterais. Quando questionado sobre a declaração de Flávio, Trump evitou comentar diretamente, mas confirmou que ele havia recebido autorização para entrar no país. O presidente americano criticou o tratamento dado à família Bolsonaro e descreveu a eleição brasileira como “estranha”, sem declarar apoio a nenhum candidato específico. Na versão original da carta divulgada na quarta-feira (28), Flávio se dirigia ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, questionando o resultado das eleições e alegando fraudes sem evidências. Após a primeira publicação ser retirada, um novo documento substituiu as referências ao título de “presidente eleito” por “líder do Brasil”. Além disso, a carta também contestou uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, sobre a prorrogação do horário de votação no dia da eleição. O Tribunal Superior Eleitoral informou que, apesar das contestações, o processo eleitoral foi seguro e transparente. Uma coletiva de imprensa que estava marcada para Flávio em Miami foi cancelada, e uma declaração foi enviada para veículos de comunicação com as mudanças já realizadas na carta.
Com informações de Hugogloss.uol