Polícia Federal desmantela organização que, conforme a investigação, movimentou R$ 90 milhões com o tráfico de ovos de aves nativas do Brasil. A ação resultou em prisões na Europa e em apreensões em aeroportos brasileiros, um esquema que prejudica espécies em risco e exige trabalho de resgate e reabilitação de filhotes.
Rota internacional via aeroportos e viveiros
A investigação começou com a detenção no Aeroporto do Galeão da suíça Erika Zumofen-Göllesz, que portava 24 ovos de papagaio-de-cara-roxa e papagaio-charão. Erika teria feito 31 viagens da Suíça ao Brasil, com passagens por Curitiba e saídas por Guarulhos; o celular apreendido levou os investigadores a contatos na Suíça e em Curitiba.
Prisões ocorreram também na Ilha Gran Canária, onde Marco Schwarz e Hans Zehnder foram detidos com valores em espécie equivalentes a R$ 260 mil; Rita Lydia Schwarz e Cláudia Fabiana Schwarz foram presas em Curitiba, com apreensões de 61 animais empalhados e 130 partes de animais, segundo o Agência Brasil.
A organização atuava há quase 20 anos e realizou cerca de 120 viagens.
Resgate, mortalidade e reabilitação
O transporte clandestino provoca a morte da maioria dos embriões, conforme a bióloga Fernanda Guida, do Zoológico de São Paulo; dos 24 ovos apreendidos no Galeão, somente 9 filhotes nasceram. Em outros casos, como em Foz do Iguaçu, 34 ovos foram apreendidos e 18 filhotes já nasceram e recebem cuidados veterinários.
As aves resgatadas tornam-se muito sociáveis e vulneráveis, o que dificulta a soltura direta na natureza; a equipe trabalha para que os exemplares formem casais em cativeiro para gerar filhotes com comportamento mais selvagem, passíveis de reintrodução nas matas nativas brasileiras.
O que você acha? Você acha que as investigações vão reduzir o tráfico de ovos e proteger espécies nativas? Para continuar por dentro, acompanhe a editoria Mundo.
Perguntas Frequentes
O que a Polícia Federal apurou sobre o esquema de tráfico de ovos?
Polícia Federal apurou que uma organização internacional retirava ovos de ninhos em áreas de reserva e unidades de conservação e os vendia no exterior por valores elevados. A investigação identificou rotas com embarques em aeroportos brasileiros e contatos em viveiros e lojas que facilitavam o transporte.
Quanto movimentou o tráfico identificado pela Polícia Federal?
Polícia Federal informou que a investigação aponta movimentação de R$ 90 milhões decorrente da venda internacional de ovos de aves nativas. A apuração também estimou cerca de 120 viagens realizadas pela organização ao longo de quase 20 anos.
Como seguirá o caso após as prisões na Europa e apreensões no Brasil?
Polícia Federal e autoridades europeias transferiram os detidos para Madri, onde aguardam processo de extradição para o Brasil, e seguem analisando documentação e telefones apreendidos. No Brasil, a investigação prossegue com cumprimento de mandados e análise de materiais apreendidos para identificar outros envolvidos.



