Tesouro IPCA+ tem sua perda de tração explicada por um estudo que atribui o problema à piora da percepção fiscal e à redução da base de investidores institucionais, e não à concorrência com debêntures incentivadas. Essa interpretação ajuda a explicar a necessidade de maiores prêmios nos títulos de prazo mais longo, o que afeta a atratividade desses papéis para investidores.
Recordes de emissões em 2025
O estudo do GRI Institute Infrastructure mostra que as debêntures incentivadas somaram R$ 178 bilhões em emissões em 2025, enquanto as emissões de Tesouro IPCA+ alcançaram R$ 343 bilhões no mesmo ano. Os autores destacam que ambos os mercados cresceram simultaneamente, o que fragiliza a hipótese de que um cresceu às custas do outro.
A pesquisa também aponta uma correlação positiva entre os volumes de emissão entre 2012 e 2025, e afirma que a competição por recursos não explica sozinho a perda de demanda pelas NTN-Bs; segundo o Banco Central, ambientes de maior incerteza fiscal tendem a elevar as taxas exigidas pelos investidores.
Entre 2012 e 2025, a correlação entre o volume de emissão das debêntures incentivadas e o de títulos remunerados por índice de preço emitidos pelo Tesouro Nacional foi positiva. Em nenhum dos recordes se confirma a hipótese de substituição
Mudanças na base de investidores
O estudo destaca perdas de capacidade de compra entre investidores relevantes para o Tesouro IPCA+, citando fundos exclusivos, previdência e multimercados. Os fundos exclusivos registraram queda no patrimônio de R$ 896 bilhões em dezembro de 2023 para R$ 544 bilhões em julho de 2026, segundo os autores, por mudanças tributárias.
O relatório também registra que a participação dos multimercados na compra de NTN-Bs caiu de 25,4% em 2020 para 13,5% até junho de 2026, e que a captação líquida dos planos VGBL caiu de R$ 59 bilhões em 2024 para R$ 3,5 bilhões em 2025. Essas variações reduzem demanda por papéis de vencimentos longos.
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Perguntas Frequentes
O que o estudo do GRI Institute Infrastructure diz sobre o Tesouro IPCA+?
Tesouro IPCA+ aparece no estudo como ativo cuja perda de tração é atribuída principalmente à piora da percepção fiscal e à redução da base de investidores institucionais. O levantamento conclui que a competição com debêntures incentivadas não explica a queda observada nas NTN-Bs entre 2012 e 2025.
Quanto movimentaram as debêntures incentivadas e as NTN-Bs em 2025?
Tesouro IPCA+ e debêntures tiveram volumes elevados em 2025: as debêntures incentivadas movimentaram R$ 178 bilhões e as emissões de Tesouro IPCA+ somaram R$ 343 bilhões. Esses números servem de base para a conclusão do estudo sobre crescimento simultâneo dos mercados.
Como o fim da isenção impactaria a demanda pelo Tesouro IPCA+?
Tesouro IPCA+ teria a demanda influenciada por alterações tributárias, mas o estudo afirma que o fim da isenção não deve, por si só, reduzir os prêmios exigidos pelos investidores. Os autores dizem que a percepção de risco fiscal e a menor presença de investidores institucionais pesam mais na precificação.



